Esta semana o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por fim reconheceu como genocídio, o extermínio e massacre da população armênia pelo Império Otomano ocorrido há mais de um século, em 1915. Neste período, a história armênia foi marcada por deportações de civis em massa, perseguições políticas à etnia, massacres e “marchas de morte” que tiraram a vida de mais de um milhão de armênios. Hoje, pessoas migrantes, deslocadas forçadas e em situação de refúgio das mais diversas localidades, ainda são vítimas de perseguições e conflitos étnicos e religiosos que resultam em suas travessias; e isso é uma alerta para todos nós.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os armênios sobreviventes do genocídio foram reassentados em países vizinhos, como a Síria e o Líbano, que até hoje ainda possuem uma presença viva, cultural e história da população armênia em seus territórios; e em países europeus e do continente americano, como os Estados Unidos, o Brasil, a França, a Rússia e a Argentina, que consolidaram grandes comunidades armênias após a diáspora.

Foto: Tendencee

Estima-se que cerca de 5 milhões de armênios (SAPSEZIEN, 2010) e seus descendentes vivam espalhados por todo o mundo; estas pessoas vítimas da perseguição sanguinária do Império Otomano, cruzaram o mundo trazendo consigo a memória dos seus ancestrais e a esperança de, por fim poderem reconstruir a sua via e história, longe da xenofobia, da guerra e do preconceito motivado por diferenças étnicas, religiosas e ideológicas.

O Genocídio Armênio e outros massacres e extermínios, sejam eles reconhecidos ou não pela comunidade internacional, são feridas abertas e frutos da omissão, da falsa ideia de supremacia racial, dos discursos de ódio que narram o outro como um “problema no qual devemos nos livrar”, e da xenofobia estrutural presente em governos e países. Mais de um século depois, o Genocídio Armênio ganha hoje atenção e holofotes em todo o mundo, e esse fato pode nos indicar um caminho: não esperemos séculos se passarem para reconhecermos atrocidades como esta. Que possamos sanar os desafios e dificuldades enfrentadas hoje pelas pessoas deslocadas (cerca de 80 milhões de pessoas em 2020, ONU), afim de que eventos atuais não se resultem em outros genocídios pelo mundo.

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