Nestes últimos dias, imagens desesperadoras da fuga em massa de milhares de pessoas no Afeganistão estão circulando na internet. Estamos acompanhando a crise mais recente no país, o desespero do seu povo, o terror propagado por grupos extremistas e a inércia da comunidade internacional, como nunca acompanhamos antes.

As políticas contraditórias dos Estados Unidos no âmbito internacional e as complexidades que envolvem o conflito afegão há séculos, culminam hoje na retomada do grupo Talibã na região e resultam em um dano humanitário sem precedentes. O caos e o desespero se instalaram no país e milhares de civis, entre eles crianças, mulheres e idosos, não veem outra solução a não ser fugir, de todas as formas possíveis.

Foto: New York Times
Foto: New York Times

A violência e a insegurança crescentes na região, segundo o ACNUR, levaram ao deslocamento cerca de 550.000 pessoas este ano, portanto, os desdobramentos migratórios na região indicam que é provável que mais pessoas sejam forçadas a deixar suas casas nas próximas semanas. A urgência de resoluções práticas e humanitárias, diálogos e negociações internacionais autênticas e uma mobilização internacional de toda a comunidade para o acolhimento humanitário aos afegãos; evocam para o mundo que o uso deliberado de violência e de práticas colonialistas jamais alcançam uma cultura de paz.

Afinal, é importante ressaltar que deixar tudo para trás e refazer a vida em um outro lugar não é uma decisão fácil, mas por vezes se torna a única atitude provável para resguardar a própria vida diante do fundado temor de perseguição, das violências e violações aos direitos humanos. Ao contrário do discurso do presidente estadunidense, Joe Biden, sobre o conflito, no qual transferiu a culpa do fracasso da intervenção norte-americana (e dos seus aliados) para o Afeganistão e o seu povo; fugir, para aqueles que estão desesperadamente tentando escapar do controle talibã, também é uma forma de lutar por si mesmos e pelos seus.

Foto da capa: Rolling Stone

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